Ao longo deste último fim-de-semana, e conforme anunciado, estive presente ao 12o Mar&Motos, encontro internacional de motociclistas, na cidade de Tramandaí/RS.

O tempo estava espetacular: céu azul, temperatura amena, vendo brando. Em função do feriado de 01/05, sexta-feira, a confraternização foi prolongada e os festejos animadíssimos. :-)

Quando converso com néscios e neófitos sobre encontros de motociclistas, invariavelmente recebo a pargunta:

- Tá, mas o que tem de bom lá?!

Pacientemente eu explico:

- Tu encontrarás “todos” os tipos, marcas, modelos, estados de conservação, ano de fabricação, etc. de motocilcletas… Super-bikes, customs, nakeds, trails, big-trails, sport-tourings. Ainda, personalizações de pinturas, acessórios, escapamentos esportivos, espelhos, rabetas (em sentido amplo he he) e todo tipo de penduricalhos. Tem mais: encontrás inúmeras barracas com artigos para o motocilista, tais como bandanas, lenços, anéis, óculos, vestuário especializado, toda a sorte de capacetes e por aí vamos!

- Tudo bem! Mas é só isso?

- Não. Também há demonstrações de acrobacias com motos, em shows de wheeling. Ah! Também tem um ponto alto destes eventos: em geral, a partir das 18 horas há apresentações de bandas de rock&roll, o que garante uma festa muito divertida. :-)

- Bueno, mas o título deste post trata de cidadania e de respeito, e até agora tu só falaste de festa e algazarra! E daí… Que enrolação é esta?

Mais uma respiração profunda. Mantenho a serenidade e perdôo a ânsiedade por respostas rápidas desta juventude, e apresento o cerne da questão.

- Tchê, no transcorrer de dois dias inteiros eu convivi com cinco mil motociclistas e vinte e cinco mil curiosos, de todas as classes sociais, todas as faixas de renda, das mais diversas localidades do Brasil e da américa latina, com idade variando de três meses até 90 anos. Ao longo da manhã, da tarde, da noite e da madrugada. Cerveja, uísque, caipiras, batidas, motos ruidosas, estourinhos… Imaginas o clima?! Pois é! ACREDITE: não houve um só incidente… Nenhuma briga… Ninguém metendo a mão com a mulher do próximo. Só vi rostos sorridentes, abraços fraternos de gente que nunca se viu! Comida e bebida compartilhadas em todos os cantos! Respeito absoluto às crianças, que dançavam em frente e sobre o palco!

Daí eu te pergunto: trata-se ou não de uma consciência coletiva de respeito e fraternidade? Sabes, eu já participei de um grande número de eventos desta natureza, e a história invariavelmente se repete… Diferenças de opinião sempre existirão, o que é saudável e desejável na medida em que propiciam o crescimento dos cidadãos, mas o respeito e o espírito de confraria têm prevalescido.

Já vi, já li e já ouvi inúmeras vezes que torcedores de certos times vão ao campo já preparados para uma batalha! Saem mal intencionados na raiz! NUNCA senti este tipo de espírito entre meus irmãos das duas rodas.

Sinceramente, creio que os encontros de motociclistas deveriam ser percebidos como fenômenos de massa dignos de estudo aprofundado, pois são geradores de humanidade! Vida longa e muitos quilômetros pra todos nós!

- Tudo bem, tudo bem… Eu entendi os argumentos. Mas tem muito barulho! Eu vou me sentir atordoado nessa zorra.

- Nesta caso, eu te dou duas sugestões, obviamente excludentes: (1) vá ao evento usando protetores auriculares, que atenuarão os ruídos muito bem; ou (2) vá pra o inferno! Coloca um pijama e fica em casa, coçando o saco e se imbecilizando na frente da TV!

Aos leitores, se quiserem observar algumas fotos amadoras do evento, recomendo que visitem o meu website, no link: www.benderbeer.com.br/motociclismo.html

Vamoquevamo,
BENDER.

Certa vez um aluno me perguntou:

- Professor, o senhor faz investimentos em quais tipos de aplicações?

Respondi-lhe:

- Invisto no hoje, no agora. Não procrastino minha felicidade. Aplico no que vale à pena: amor, amizades e muita festa, pra compartilhar com os outros a alegria de estar, por enquanto, por aqui!

O cara aí embaixo dá o recado por mim. Saúde!

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Cada dia sem gozo não foi teu

(Ricardo Reis – heterônimo de Fernando Pessoa)

Cada dia sem gozo não foi teu

Foi só durares nele. Quanto vivas

Sem que o gozes, não vives.

Não pesa que amas, bebas ou sorrias:

Basta o reflexo do sol ido na água

De um charco, se te é grato.

Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas

Seu prazer posto, nenhum dia nega

A natural ventura!

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BENDER.

Hoje é dia do sofá!

abril 29th, 2009

Cria vergonha na cara! Relação exige cuidado, carinho, companheirismo. É que nem plantar manjericão: tem que semear em terra boa, regar todos os dias e expô-lo ao sol por pelo menos quatro horas. Um vaso bonito de cerâmica também ajudará! Feito isto, com certeza receberás ótimos aromas e sabores…

Segue uma pérola de Fernando Pessoa. Copia a mão e entrega pra ela. Se o cartão for acompanhado de um champagne brut, bueno, aguenta o tranco! Carpe diem, carpe diem!

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A Flor que És

(Ricardo Reis – heterônimo de Fernando Pessoa)

A flor que és, não a que dás, eu quero.

Porque me negas o que te não peço.

Tempo há para negares

Depois de teres dado.

Flor, sê-me flor! Se te colher avaro

A mão da infausta esfinge, tu perere

Sombra errarás absurda,

Buscando o que não deste.

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BENDER.

Ah! Sexta-feira…

abril 24th, 2009

Viernes, friday, vendredi, freitag, venerdi, tanto faz… sexta-feira deve ser um dia bom em todos os países! Acho que na China não.

Bueno, pra mim as sextas-feiras sempre são ótimas. Sinto cheiro daquela costela gorda que está no porvir, ou seja,  por vir. Claro, sempre tem a abertura com uma limonada sueca, né?! Não, não é limonada suíça, que é coisa de biba. É sueca mesmo, feita com Absolut, entendes?!

Ainda, quando o Climatempo me dá boas notícias, a Thriteen já começa a ronronar lá na garagem. Fica me provocando, serpenteando, evocando uma nuvem de curvas, tipo Serra de São Marcos, sacas? Se quiseres se esconder do Florian, do Felipe e do Tales, não vá até a Tenda do Umbú. Tem um relógio-ponto debaixo do tal, no qual eles registram sua presença rotineiramente. Quem sou eu pra falar…

Ao longo desta semana, findando no próximo domigo, tá acontecendo o Salão de Motos – 10 anos (http://www.salaodemotos.com.br/ed2009/). Naturalmente,  isto não passará sem uma comemoração digna da ocasião: como warm-up assarei um costelão, a ser servido lá pelas 12:30, a ser degustado por bárbaros carnívoros em reunião definitivamente profana. Finda a orgia gastronômica (e etílica para os que não farão uso de veículo auto-motor), às motos, para nos mantermos inebriados, de vinho, de virtude ou de poesia, copiando escandalosamente o dito de Baudelaire!

Apenas para registro, mesmo porque é preciso eventualmente ter rasgos de lucidez, houve apenas uma mácula nesta 6a, que foi o fato de minha amada ter sido ofendida por quem não merece tal consideração… Mas ela é forte e tem espírito nobre! Por ser aguerrida, vai transformar a perda de uma pequena batalha em um grande êxito ali na frente… “Bem capaz” que uma Wicca se deixará abater por mais de cinco minutos pelos fracos de caráter!

Voltando ao bar, santuário de filósofos, digo-lhes, amanhã pela manhã, cedo, vou até o Moacir (http://www.ccmoacir.com.br/) buscar o big rib. Vá por mim, não há melhor casa de carnes em Porto Alegre. Ele vai p/ o fogo às nove horas, e quem viver, salivará!

Aos leitores, o desejo de um ótimo findi… Se quiserem saber mais acerca de como se assa um costelão, consultem www.benderbeer.com.br/churrasco.html

BENDER.

Segunda-feira, 20/04, véspera de feriado para muitos. Para privilegiados como eu, feriadão! Almoçamos muito sossegadamente no Solar dos Bender… Temperatura ótima, céu parcialmente ensolarado… Putz, faltou mel em casa, e sem mel eu não consigo ficar… Síndrome de abstinência de abelha, ou de hornet, para os que me conhecem e entendem o trocadilho!

- Aí Miroca, te arruma que nós vamos até Tramandaí comprar mel lá no Bar da Branquinha (na Av. Emancipação, próximo à esquina da Rua da Igreja, à direita de quem vai).

Às 14 horas, bundas sobre a Big Four e vento na cara! Que beleza! Contados 50Km do Solar, via Freeway, entramos no desvio para Glorinha, rumando pela “estrada velha”, qua aliás de velha só tem a cronologia, pois está muito bem pavimentada e sinalizada. Paisagem ótima e sossegada… Puro cenário de reflexão “in-helmet”.

Curvinha pra direita, curvinha pra esquerda, e vamoquevamo… Chegando ao final do trecho (matter of poin-of-view, of course!), cruza-se por sobre a Freeway, em vias de passar ao largo daquilo que chamo de Parque de Cervantes, ou, popularmente e nada poético, Parque Eólico de Osório.

Pronto, chegamos em Tramandaí… Tudo joinha… A Thirteen ficou estacionada na Emancipação, sempre ao alcance do olho. Cara, eu sou muito ciumento! Café expresso pra patroa, que tava com o cangote frio… Tinha gente até com casaco de lã… Muita frescura! Eu, baita macho, tomando sorvete, cheio de coberturas (ui!)… Atravessamos a rua (ei, isto não é um “eu majestático”! Usei a segunda pessoa porque estava com a esposa, né?!) e, ao cruzar defronte a Taberna do Willy, parada para conversar com todos os garçons da casa. Por que? Eu te explico rapidinho! Acontece que, faz alguns anos, pelo menos uma vez por mês eu vou até o restaurante para comer uma bela tainha assada. Tchê, quando eu te falo de “bela”, entenda isto em sentido amplo: grande, bonita, corada, temperada, assada no ponto e servida com esmero!

O tempo passa, o tempo voa, bueno, não falemos da poupança Bamerindus, ok?! Compramos três potes de mel, de flores silvestres caso seja do teu interesse, empacotei tudo direitinho, colocamos capacetes, calçamos luvas e estrada novamente. Já eram por volta das 17:30.

Caminho de volta, a CB tá com o peito que é um vulcão! Engata a primeira, 5.000 giros, engata a segunda, 5.000 giros… Aí ó, se levar a 7.000 giros e a garupa não estiver preparada pra o tranco, é bunda no chão…

Em seguida que passamos a Polícia Rodoviária Estadual, portanto, antes de Osório, a Thirteen começou a rebolar, e não estava tocando nenhum pagode (blargh!). Conheço o sintoma: droga, pneu traseiro furado! Cair da tarde… Véspera de feriado…

Oh! E agora! Quem poderá me socorrer?! O Chapolim Colorado está no México!

De fato, eu não gosto de telefone celular. A propósito, o meu está quase sempre desligado. Mas, se bem usada, a ferramenta mostra seu valor. Cell on, (51) 3661-1987, calling…

- Alô… É da Taberna do Willy? Por favor, eu quero falar com Pablo, o garçom.

- Buenas, Pablo, é o André!

- Que André?

- O cara que te cumprimentou faz 15 minutos, que anda de moto e come uma tainha inteirinha!

- Pô André, não conheci a tua voz!

- Cara, preciso de ajuda. Furou o pneu da moto. Manda um reboque pra mim?

- Claro. Fica tranqüilo. Vou ligar pra loja da Honda e ver se eles te buscam aí. Se a loja estiver fechada, eu ligo pra um reboque de um amigo nosso. Já te ligo de volta.

Uns quinze minutos após… – Alô, André, aqui é o Marcelo (dono da Taberna do Willy, e grande motociclista). Já vou até aí te prestar socorro!

Dito e feito… Palavras movem, exemplos arrastam. O camarada ajuntou um borracheiro, que também é motociclista e o levou até nós. “Espaguete” no furo, compressor na bateria do carro, vrrrr vrrrr, pneu cheio, problema resolvido.

Parada pra reflexão: o Marcelo mal me conhece, aliás me conhece menos que o Pablo, e pronta e resolutamente veio ao nosso encontro, de modo absolutamente solidário, nos tirar de um apuro nada singelo. Pô, moto não tem estepe! Estava anoitecendo e o feriado tava beirando… Isto é FRATERNIDADE! E então, qual é o seu valor?

Marcelo já era irmão, agora é Irmão! Atitudes como esta me fazem sentir orgulho de ser motociclista. Este é um tipo de “pertencimento” saudável, pois enaltece o que as pessoas têm de bom! Vida muito longa ao Marcelo, ao Pablo e à Taberna do Willy.

Vá até lá comer uma tainha: Av. Emancipação, 315 – Calçadão de Tramandaí. O telefone eu digitei no texto!

Em tempo: o Mar&Moto, Encontro Motociclístico de Tramandaí será junto ao feriado de 01/05. É 10! Aproveita.

BENDER.